CARIDADE

Talvez se considere caridoso aquele homem que alimenta o canário aprisionado numa linda gaiola, mas aos olhos do pássaro, a maior caridade que pode receber é a possibilidade de voar livre em busca do seu alimento, utilizando-se dos seus próprios meios.
A caridade se manifesta na atitude que promove o resgate da autoestima, pois quando fazemos tudo por quem encontra-se envolto em problemas, tal pessoa perde a oportunidade de fazer algo por si mesmo, desta forma tornamo-nos empecilhos no seu processo evolutivo.
Ajudar o necessitado representa lutar para que ele aprenda a andar com as próprias pernas, pois quando anda com as pernas alheias, as dele vão atrofiando e cada vez se torna mais dependente daquele que o carrega nas costas.

Neste sentido devemos estender as mãos aos carentes e tentar descobrir quais são as suas reais necessidades, não nos limitando às carências temporais, mas também àquelas que afligem a alma abatendo o estado emocional.
Muitos alcoólatras que estão largados nas ruas, são doentes que precisam de ajuda, mas embora aparentemente o alcoolismo seja o problema, devemos considerar a possibilidade de ser apenas um sintoma de uma doença mais profunda.
Precisamos nos perguntar: Por que este cidadão tornou-se um alcoólatra?
Se formos fazer uma análise mais profunda descobriremos que vários fatores o fizeram buscar refúgio na bebida, que aparentemente, lhe serve de alento ao mantê-lo desligado do mundo. A caridade neste caso se manifesta através do empenho em descobrir a causa das suas dores e na procura por prover-lhe meios para readquirir interesse pela vida e poder sentir-se um personagem útil à sociedade.

A doação de alimento tira a fome do ser faminto, mas não tira dele a miséria. O sabor do alimento conquistado através do trabalho é muito superior ao sabor do alimento recebido como esmola. Ao invés de pão, dê sementes de trigo, ao invés de dinheiro, dê trabalho, ao invés de críticas agressivas, dê conselhos, ao invés de preconceito, dê empatia e assim saberá do que sua alma precisaria se você estivesse no lugar da pessoa carente.

Ame o seu próximo, mesmo que ele pareça desinteressado pela vida, ame-o dando-lhe meios para superar os momentos de dificuldade e assim voltar a amar a si mesmo.

Quando for solidário ajudando os necessitados, o faça simplesmente por gostar de fazê-lo, não espere que as pessoas vejam a sua atitude para o elogiarem e assim massagearem o seu ego, também não espere que Deus esteja vendo a sua demonstração de amor ao próximo para poder recompensá-lo, pois se pensar desta maneira, será egoísta e não terão nenhum valor as suas iniciativas, aparentemente, altruístas.
Que o bem-estar advindo do ato de servir seja o seu galardão. Que a sua recompensa seja a oportunidade de plantar boas sementes no coração daquele no qual há um jardim com terra seca e sem vida. Faça o bem secretamente e cuide para que nem os Céus fiquem sabendo.

Ao ser solidário você demonstra o seu nível de crescimento interior e assim cada vez que oferece amor, mais amor brota em seu peito.
Estenda a sua mão e conduza aquele que sofre para um caminho onde haja mais luz e conforto, trate-o com carinho e lhe mostre como agir para vencer os seus limites e obter evolução como pessoa, e só vá embora quando tiver certeza que conseguiu mais um integrante para o exército de soldados que lutarão pelo bem comum, estando sempre com os braços abertos e as mãos estendidas.

Jamais coloque o peso da sua cruz nas costas daquele que segue ao seu lado, bem como não carregue a cruz dele, pois se o fizer, você sucumbirá ao cansaço e não poderá ajudar a si mesmo e nem a ele. Caminhe lado a lado, com estímulos mútuos, dê parte da sua água para ele beber e do seu pão para ele comer, incentive-o quando estiver desanimado, pare quando ele cair, ajude-o a levantar-se novamente e siga desejando que ambos consigam chegar ao destino.

Eduardo de Paula Barreto
18/03/2013