FATOS E LENDAS

Quando lemos a Bíblia nos deparamos com inúmeros fatos que encontraram comprovações arqueológicas, linguísticas, históricas, etc, portanto quando lemos aquelas histórias sobre as guerras, reinados, catástrofes, muitas destas informações já foram comprovadas pela ciência, neste aspecto creio na Bíblia, mas quando os acontecimentos são associados à intervenção Divina, aí eu passo a questionar com racionalidade.

Basta refletirmos sobre os ataques às Torres Gêmeas em Nova Iorque em 11 de setembro de 2001, os sequestradores que conduziam as aeronaves, o faziam acreditando estarem agradando ao seu Deus Alah, e em nome dele ceifaram milhares de vidas. No futuro distante muitos muçulmanos lerão que realmente foi Alah que determinou tais ataques e que os sequestradores foram seus sagrados servos enviados para punir os 'infiéis', e que após cumprirem a sua ‘sagrada’ missão, foram recebidos nos céus com toda a glória. Por isso afirmo, houve os ataques de 11 de setembro, é um fato histórico, mas nenhum Deus foi responsável por eles, o mesmo aconteceu com as catástrofes expostas na Bíblia, elas ocorreram, mas Deus nada teve a ver com elas.

Desde os primórdios da civilização o homem tem sido duro de entendimento ao mesmo tempo em que é suscetível às influências do mundo invisível, o que pode torná-lo uma presa fácil diante de pessoas que sabem tirar proveito destas duas características.
O homem antigo não obedecia aos líderes políticos se as ordens viessem de suas bocas simplesmente, mas bastava dizer que a ordem vinha de Deus, que muitos se curvavam temendo ser castigados ou até mesmo esperando ser recompensados.
Tal prática é tão eficaz que é amplamente utilizada até os dias atuais, reparem, por exemplo, as inúmeras igrejas que dizem aos seus fiéis:
‘Irmãos, embora a lei do dízimo esteja explícita na Bíblia, vocês não são obrigados a cumpri-la porque Deus lhes abençoou com o livre arbítrio, mas se vocês não pagarem, não serão abençoados e poderão queimar no inferno’.
Diante desta circunstância o fiel não tem outra opção senão pagar e assim ficar com a consciência tranquila quanto ao respeito a um mandamento, bem como pode ficar torcendo para que tal pagamento represente uma boa aplicação financeira que lhe renda lucros maiores do que os que os bancos podem dar.

Não tenho nada contra as pessoas contribuírem com a manutenção das suas Igrejas, o que não aceito é o fato de os líderes religiosos utilizarem-se de promessas vãs, e até ameaças, para conseguirem tais recursos e, muitas vezes, tornarem-se milionários. A estratégia de manipular a fé alheia e utilizar-se de técnicas de sugestionamento e condicionamento para induzir alguém a dar dízimos e ofertas é, no mínimo, uma atitude indigna.

Os religiosos atuais não pregam mais a conquista de glória nos céus, mas de riquezas na terra através da ‘Teologia da Prosperidade’ e assim conseguem a peripécia de levar o capitalismo terreno ao mundo espiritual.
A lei do dízimo foi criada como uma maneira de obrigar as pessoas a partilharem os seus bens para que os antigos vivessem com mais igualdade, mas esta idéia partiu dos homens e não foi criada por Deus, simplesmente porque se Deus quisesse que seus filhos fizessem sacrifícios financeiros, tais sacrifícios seriam mais eficazes se fossem diretamente canalizados para amenizar a dor dos oprimidos e carentes, sem a intermediação das igrejas que ficam com a maior parte de tais recursos.

Eduardo de Paula Barreto
07/03/2013