PECADO

As organizações religiosas sempre criaram conceitos e normas de comportamento baseados nos pontos de vista dos seus líderes, e a maior arma utilizada para manter as comunidades submissas a tais regras sempre foi a ameaça de punições Divinas, ao mesmo tempo em que eram prometidas recompensas eternas aos obedientes.
Tais organizações sempre se sustentaram sobre dois pilares, o castigo e a bênção.
Desde o início dos tempos a palavra ‘pecado’ tem sido sinônimo de qualquer desconsideração deliberada das leis consideradas Divinas, e a palavra ‘bênção’ tem significado recompensa devido à obediência.

Aqueles que sempre preferiam o conforto de seguir os líderes religiosos sem fazer questionamentos, podiam gozar da sensação de estar agradando a Deus e assim alimentavam a esperança de ser abençoados. Por outro lado, os que ousavam questionar os princípios pregados ou simplesmente se recusavam a adotá-los, eram considerados pecadores que seriam enviados ao inferno, e não foram poucos os que foram assassinados com crueldade por terem independência intelectual relacionada a assuntos religiosos.

Mas o que é verdadeiramente o pecado?
Pecar é agir contrariamente ao bom senso, é desconstruir, produzir retrocesso e malefícios. Seguindo esta linha de raciocínio, pecado deixa de ter apenas conotação religiosa e passa a ter maior amplitude.
Para o hipertenso, consumir sal além das medidas aconselhadas pelos médicos, é um imperdoável pecado, pois coloca a sua vida em risco, o mesmo acontece com o diabético diante de doces guloseimas.
Pecar poderia ser compreendido como causar danos a si mesmo ou a terceiros, mas não apenas danos no âmbito físico, mas mental, emocional, psicológico e espiritual.
A sabedoria manifesta-se como bom senso enquanto o pecado manifesta-se como ignorância. 

Eduardo de Paula Barreto
08/03/2013