VÉU

O Grande Deus de todo o Universo jamais se manifestou nas criações dos Semideuses, pois se o fizesse, condenaria tudo o que é matéria à destruição instantânea, por isso mentem aqueles que dizem Tê-lo visto, embora devamos ter compaixão daqueles que fazem tal afirmação devido a transtornos psíquicos, sem intenção de enganar.
Se o Sol, que tem luz infinitamente insignificante diante da glória Divina, destrói toda matéria que dele se aproxima, como imaginar que alguém ou alguma matéria suportaria a glória Divina para a qual não há medida? 

Embora os Semideuses tenham indescritível glória, ela é ínfima em comparação à glória de Deus, mesmo assim é demasiadamente grande para ser suportada pelos mortais, por isso, também mentem todos aqueles que afirmam ter tido contatos pessoais com Eles.

Ao longo da história da humanidade muitas lendas foram criadas, algumas surgiram ingenuamente no imaginário popular e criaram aspectos de verdade, enquanto outras foram criadas propositadamente com o intuito de servir de ferramentas para o exercício de poder e domínio sobre a população que sempre temeu o desconhecido.
As lendas que superam os séculos, têm sido ótimos mecanismos para o exercício da perversidade de pessoas egoístas, que têm a espiritualidade pouco desenvolvida, embora, muitas vezes, desempenhem importantes papéis no mundo religioso.

A Centelha Divina existente em cada criatura, faz com que todos tenham sede de águas espirituais, e os sedentos acabam seguindo aqueles oportunistas que dizem ser os portadores dos potes que contêm tais águas, mas dentro dos seus potes existem somente lendas e crendices.

Como criaturas de Seres Divinos, mantemos nossos cordões umbilicais espirituais, os quais são a nossa conexão com os nossos Criadores, e não precisamos de intermediários para nos comunicar com Aqueles que nos criaram, para isto basta termos atitudes, pensamentos e desejos dignos e assim podemos enviar nossas mensagens e obter consolo advindo do Centro da Energia Universal, mas temos que nos lembrar que somente devemos esperar receber paz de espírito, clareza de pensamento, ampliação da nossa intuição e maior consciência acerca de quem somos, para assim contornarmos os nossos problemas e conquistarmos a evolução interior, não pense que pedindo socorro aos Deuses, eles resolverão os seus problemas, se o fizessem estariam contrariando as Suas próprias leis.

A introspecção, a análise íntima, a meditação, atrelados ao viver baseado no bom senso e em bons princípios, transformam nossas mentes em Templos sagrados, nos quais nos comunicamos com a Divindade, sem a necessidade de nenhum ritual ou sacrifício.
A mente humana é conectada com os Seres Divinos, e é nela que habita a porção Deles da qual precisamos para conseguir utilizar o máximo possível do nosso potencial. Somos mais seres espirituais do que materiais, o que nos torna viventes não é a carne, mas o espírito. Sem corpo há vida no espírito, mas sem espírito não há vida no corpo.

O homem mortal não tem domínio total sobre o seu espírito, e nem mesmo o conhece profundamente, pois durante o período de provação e aprendizado é criado um véu que separa estes dois universos, mas à medida que o homem mortal vai se desprendendo da carne e adquirindo maior espiritualidade, através da prática de bons princípios e do exercício do amor incondicional, ele, embora matéria, passa a utilizar uma porção maior do seu corpo incorruptível e consegue pensar utilizando parte do seu cérebro eterno, assim começa a experimentar milagres e ver o mundo com os olhos da alma, e quando chega o fim do seu ciclo carnal, encontra gozo na libertação da mortalidade e percebe que está preparado para utilizar a sua mente eterna. Para alguns o véu surge e permanece denso até quando é retirado no fim da jornada, mas para os que adquirem crescimento interior, tal véu vai se tornando cada vez mais tênue, muitas vezes permitindo que o ser mortal veja o que está do outro lado.

Abra os seus olhos e sensibilize o seu coração, não permita que a ignorância encha a sua mente de crenças absurdas que não lhe trarão crescimento, pois muitas vezes temos certezas que se baseiam em nossa ignorância, e quando adquirimos conhecimento verdadeiro, a ignorância sucumbe diante da verdade e mudamos as nossas certezas.

Nunca se envergonhe de ser ousado, de questionar tudo e admitir que estava equivocado, lembre-se que as mudas das plantas que não aceitam as mudanças, jamais se transformam em árvores.

Eduardo de Paula Barreto
08/04/2013